Diversão, gastronomia e cultura em Joanesburgo

Diversão, gastronomia e cultura em Joanesburgo

O que fazer, onde comer e lugares para ver o “big five” (búfalo, elefante, rinoceronte, leopardo e leão) na capital da África do Sul e arredores

Priscila Pastre Fernanda Frazão, Getty Images

Postado Março 2020

Passar alguns dias na maior cidade da África do Sul é fazer várias viagens em uma. Pela comida, pelo contraste da vida urbana de um centro financeiro com os parques naturais, pela transformação que pulsa a olhos vistos e, acima de tudo, pelo enredo que a cidade conta a cada passeio, a cada conversa e – por que não? – a cada bocada.

1. Onde e o que comer em Joanesburgo

Quem prova pratos como o bobotie, uma espécie de bolo de carne de cordeiro cozida em molho de especiarias, por exemplo, experimenta influências da Malásia e da Indonésia deixadas ali pelos holandeses.

Isso porque, no século 17, eles paravam na Baía da Mesa, na Cidade do Cabo, para abastecer os navios da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Os novos sabores seguiram de lá para o resto do país e nunca mais saíram. O bobotie era, aliás, um dos pratos preferidos do líder Nelson Mandela.

Quem prefere pratos que ditam tendência vai descobrir um cenário em ascensão na cidade: o de chefs que mesclam à culinária africana as heranças asiáticas e europeias de forma criativa e sutil, buscando colocar Joanesburgo na mira dos críticos e dos foodies que elegem os melhores e mais interessantes endereços do globo para visitar.

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É o caso de Marcus Gericke, reconhecido no ano passado como o melhor jovem cozinheiro do país pela San Pellegrino, a mesma que assina o 50 Best, evento que todos os anos elege os melhores restaurantes do mundo.

Gericke é sous chef do restaurante Qunu, que fica dentro do hotel Saxon, Villas e Spa. A inspiração britânica do menu e o próprio nome do restaurante são outra prova do quanto história e gastronomia se fundem na cidade. A África do Sul foi colonizada pelos britânicos. E Qunu é o nome da vila rural onde Nelson Mandela passou parte da infância. Os ingredientes são comprados de pequenos produtores, tendência que vibra neste novo cenário gastronômico.

No mesmo caminho segue o Urbanologi. Ali, tudo o que vai para a cozinha é comprado a, no máximo, 150 quilômetros de distância. O restaurante fica em um galpão dentro da cervejaria artesanal Mad Giant, em Ferreiras Dorp, a parte mais antiga de Joburg – como a cidade costuma ser chamada. A cozinha de inspiração asiática (de onde saem receitas como o frango grelhado com chimichurri) recebe toques contemporâneos em pratos sazonais para serem compartilhados.

Qunu: 36 Saxon Rd, Sandhurst, Johannesburg, 2196

Urbanologi: 1 Fox St, Ferreiras Dorp

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Harmonizando o menu com as bebidas produzidas ali mesmo, dá também para conhecer outra tendência – a da fabricação de cervejas locais. De sobremesa, peça o pudim de malva, tradicionalmente feito com geleia de damasco e servido com creme por cima. De origem holandesa, ele está sempre presente nas refeições das casas.

Tem também a exótica comida de rua com especialidades como as patas de galinha cozidas com açafrão, curry e pimentas. Um programa para se lambuzar e comer com as mãos. E as delícias dos mercados? Experimente passar uma manhã de sábado no Neighbourgoods, em Braamfontein. Deixe-se levar pela alegria que transborda das ótimas apresentações de música ao vivo e, novamente, pela comida – apetitosa e a preços super convidativos.

The Neighbourgoods Market: 73 Juta St, Cnr De Beer & Juta St 2000

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Os mais carnívoros vão se deliciar com as carnes exóticas. Avestruz, javalis e kudus – este último, um antílope que lembra o Bambi. O acompanhamento das carnes costuma ser de uma polenta feita com farinha de milho, chamada pap, ou um molho apimentado de vegetais chamado chakalaka.

Se a sua pegada é mais hipster, seu lugar é o bairro de Maboneng. Antes uma região industrial degradada, ela está sendo tomada por galerias e lojinhas. A região ideal para entrar desavisadamente em cafés e restaurantes e eleger aquele cantinho especial para chamar de seu.

2. Os museus em Joburg que você precisa visitar

Para conhecer sobre a história de Nelson Mandela, que lutou contra o apartheid (o regime de segregação racial que perdurou na África do Sul de 1948 a 1991), passou 27 anos preso e depois se tornou presidente do país de 1994 a 1999, é imprescindível visitar pelo menos dois endereços: o Mandela House Museum e o Apartheid Museum.

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O primeiro fica no bairro de Soweto, na casa onde Mandela morou. O museu guarda alguns objetos da família. A rua, Vilakazi, também é conhecida por ter sido endereço de outro líder que lutou contra o apartheid: o arcebispo Desmond Tutu. Aproveite para alugar um tuk-tuk e passear pelo bairro com um guia local. Vale fechar um passeio que inclua almoço em algum restaurante frequentado pelos moradores.

Já o Apartheid Museum, aberto em 2001, conta com uma exposição fixa, uma temporária e outra sobre Mandela. A experiência começa ainda antes de entrar no museu. Na entrada, os visitantes são separados em brancos e não-brancos. Sem lógica alguma, bem aos moldes do que se fazia na época.

Mandela House Museum: 8115 Vilakazi St, Orlando West, Soweto

Apartheid Museum: Northern Parkway & Gold Reef Road Ormonde, 2001

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De lá, pegue um táxi até Constitution Hill, o Tribunal Constitucional da África do Sul. Ele foi construído no presídio em que Nelson Mandela cumpriu pena nos anos 1950. Os visitantes podem ver também o local onde Mahatma Gandhi ficou preso, em 1913 – o líder pacifista hindu morou e advogou na África do Sul durante 20 anos.

Constitution Hill: 11 Kotze Road

3. Espaços naturais urbanos e safári pertinho de Joanesburgo

Se estiver com crianças, a saída do Apartheid Museum pode levar a outro programa, mais leve e pertinho dali. O parque de diversões que fica no complexo Gold Reef City. Temático, ele leva a uma viagem no tempo. Mais precisamente, para a era da corrida do ouro. Além dos brinquedos convencionais, como a montanha-russa, os visitantes podem fazer um passeio bem diferente: caminhar por uma mina subterrânea. Para facilitar a ida com os pequenos, há dois hotéis e 12 restaurantes no parque.

Para relaxar, Joanesburgo tem incríveis refúgios naturais. A menos de seis quilômetros do centro fica o Emmarentia Dam. Faça um piquenique por ali ou aproveite o parque como ponto de partida para o Botanical Garden, com mais de 30 mil árvores e lindas roseiras.

Gold Reef City: Corner of Northerns Parkway & Data Crescent, Ormonde

Emmarentia Dam: Entrada principal pela Olifants Road, Gauteng

Botanical Garden: Entrada principal pela Olifants Road

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Para um safári próximo, visite o Pilanesberg Park. A duas horas de carro da cidade (menos da metade do tempo que você levaria para ir ao Krueger, o mais famoso do país), ele fica a apenas 220 km do aeroporto de Joanesburgo.

Dentro da cratera de um vulcão extinto há 1,2 bilhão de anos, o Pilanesberg também tem os “big five”. Assim são chamados os cinco animais mais temidos pelos caçadores: búfalo, elefante, leão, leopardo e rinoceronte. Aproveite que a viagem é curta e volte para dormir em Joanesburgo.

Um ótimo jeito de ganhar tempo para conhecer mais da cidade que, definitivamente, deixou a posição de “paradinha entre um passeio e outro por safáris e vinícolas na África do Sul” para se firmar como um destino (e que destino delicioso!) por si só.


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