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Viajar com crianças:

superando o desafio

Leonor Macedo

Fotos: @a_baby_abroad, @wanderlust.Crew, @nalupelomundo, Getty Images / Ilustração: Ana Matsusaki

Mães e pais ensinam a viajar em família e a fazer dos filhos cidadãos do mundo

 

 

A criança que pede para ir embora assim  que chega ao topo do Corcovado, o bebê que abre um berreiro na praia mais linda do Caribe, o adolescente que não sai do celular durante todo o passeio no Louvre: se você é mãe ou pai, provavelmente já questionou quanto vale a pena viajar em família.

 

Mas o outro lado dessa jornada é mais bonito: poucas coisas são mais recompensadoras do que proporcionar aos filhos a oportunidade de visitar o mundo. De ensiná-los a respeitar outras culturas e a se sentirem em casa, não importa onde estiverem. Viajar com crianças é um crescimento em conjunto e, nesta reportagem, três famílias que vivem na estrada (e são famosas por registros suas aventuras nas redes sociais)  explicam como isso pode ser igualmente divertido.

 

Do Chile à China

O filho da chilena Daniela Kemeny só tinha três meses quando seu marido, Sergio, foi transferido para a China. Do outro lado do mundo e com um bebê de colo, ela não entendia por que todos os conselhos que recebia tinham a ver com ficar em casa e esperar  Baobao, apelido do menino, crescer para viajar. “Os pais não precisam deixar de fazer o que gostam depois que se tornam pais. É quase como se a maternidade fosse um sacrifício, mas eu não acredito nisso”, diz Daniela.

 

Assim, seguiram explorando Xangai, até decidirem conhecer outro canto do país. Nos dias que antecederam a viagem, ela perdeu o sono pensando em toda a parafernália que teria de carregar. Depois, percebeu que poderia ter dormido: tudo deu mais certo do que imaginou e, de lá para cá, não parou de carregar Baobao consigo pelo mundo. Só que agora com menos  bagagem: “Aprendi a romper com o paradigma de que, para sair de casa com um filho, é preciso carregar a casa nas costas. Às vezes tudo o que você precisa para viajar com um bebê é um bom sling”, garante.

 

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Com quase 3 anos, Baobao já conheceu 12 países e 60 cidades. Esteve em lugares como Austrália, Japão, Espanha, Coreia do Sul e Israel. E, para Daniela, pouco importa se ele se lembrará de tudo o que viu até agora: “Acho um erro tremendo esperar o filho crescer para que ele aproveite melhor o destino. Quanto menor é, mais fácil viajar, porque crianças se divertem com a simplicidade.” Para ela, os estímulos a que os bebês são submetidos têm um impacto positivo em seu crescimento. Além disso, é uma ótima oportunidade para ensiná-los a se acostumarem com situações cotidianas, como ir a um restaurante.

 

Daniela aconselha aos pais a se conectarem com quem já caiu na estrada com os pequenos. “Há muitas famílias que viajam com os filhos e podem dar recomendações valiosas.” Ela mesma mantém um site chamado A Baby Abroad, relatando suas aventuras com Baobao e agora com um novo tripulante: Xiao Didi, o segundo filho do casal, nasceu no último 3 de agosto.

 

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Dicas by A baby abroad

Pesquise o destino e faça uma lista de lugares que agradarão a toda a família. Não é preciso planejar 100% do roteiro, mas ter em mente as opções disponíveis.

Pense em uma atividade por dia para  que a criança possa se divertir.

Abra a cabeça, seja flexível e busque  praticidade. Seus filhos vão sair da rotina  e – boa notícia! – vão sobreviver.

Seis na estrada

Por anos a fio, os americanos Vanessa e Paul Hunt economizaram dinheiro para comprar uma casa grande na Califórnia onde pudessem viver confortavelmente com os quatro filhos. Em 2014, encontraram o lugar dos sonhos e, na última hora, o proprietário desistiu do negócio. “Ficamos tristes e desabrigados, mas decidimos fazer desse limão uma limonada”, lembra Vanessa.

 

Depois de pesquisarem, descobriram que seria mais rentável viajar pela Europa do que alugar uma casa às pressas. E saíram pelo mundo com os filhos, que, na época, tinham 1, 3, 6 e 8 anos.

 

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Assim nascia a Wanderlust Crew, também nome de um site que a família mantém na internet para incentivar outros viajantes potenciais. Hoje, a trupe Ethan, Amelie, Jackson e Abbi têm 5, 7, 10 e 12 anos, respectivamente. E, claro, gostam de coisas diferentes. Atender às expectativas de cada um durante as viagens é como brincar com blocos de montar: a variedade de interesses é grande e é preciso que todos estejam contemplados na lista do que fazer.

 

“Uma vez escolhido o destino, tentamos considerar passeios que agradem a todos, mas nem sempre isso é possível. Se há algo que queremos fazer apenas com os mais velhos, por exemplo, eu e Paul nos dividimos e conseguimos”, diz Vanessa. “A gente realmente se esforça para fazer com que cada um se sinta especial e aprenda em seu próprio nível.”

 

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Brigas acontecem nas melhores famílias, principalmente entre irmãos. Mas a mãe dos quatro assegura que as viagens para dez países até agora aproximaram os filhos. “Especialmente quando há poucos brinquedos ou internet limitada, as crianças encontram maneiras de criar a própria diversão. Eles se tornaram os melhores amigos uns dos outros.”

 

Dicas by Wanderlust Crew

Diminua a velocidade: aprecie cada  nova cultura e local, sem se preocupar com o passeio seguinte.

Esteja preparado para qualquer  coisa, mas não planeje demais. O inesperado tem muito valor.

Alugue uma casa em vez de ficar em hotéis, tenha um cartão de crédito com bom programa de pontos e compre voos com antecedência para diminuir os custos.

Nascer e crescer no caminho

Para saber por onde anda Isabelle Nalu, basta ligar a televisão. Filha da videomaker Fabiana Nigol e do surfista Everaldo Pato, ela está no programa Nalu pelo mundo, exibido pelo canal a cabo OFF.

 

Hoje com 11 anos, Nalu cresceu diante das câmeras e fazendo do planeta a sua casa. “Com ela pré-adolescente, nosso poder de convencimento tem que ser mais elaborado”, brinca Fabiana. A família só não perde de vista a preocupação de estarem felizes. “Cada um sabe que tem a sua hora para fazer o que mais gosta na viagem e essa hora sempre chega”, garante a mãe.

 

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Como já viajam juntos há muito tempo, Fabiana sabe bem quais são os benefícios desse estilo de vida:  “A Nalu guarda um pouco de cada vivência. Ela aprendeu o que é viver no mundo e que o Brasil tem muita importância, além de conseguir se adaptar a diversas situações com maturidade.” E não é isso, afinal, que queremos para os nossos filhos?

 

Dicas by nalu pelo mundo

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